
Coluna – O Jogo do Poder
Por Marcus Bastos
O Instituto Delta tem sido, nas últimas eleições, um dos que mais se aproximam dos resultados oficiais, o que lhe garante credibilidade. A última pesquisa, realizada há cerca de duas semanas, trouxe um dado que passou praticamente despercebido: o senador Alan Rick venceria a eleição já no primeiro turno. E quase ninguém se atentou a esse detalhe. Nenhum site de notícias ousou destacar esse cenário.
É claro que ainda há muita água para rolar. O processo eleitoral está apenas começando e o jogo político muda rapidamente.
Mailza ainda não entrou de fato na disputa
Do lado do governo, o cenário ainda é de confusão. A governadora Mailza Assis não cresceu o suficiente, até aqui, para garantir presença em um eventual segundo turno contra Alan Rick. Neste momento, Mailza e Gladson Cameli parecem atordoados: Gladson concentrado em sua defesa no caso Ptolomeu, enquanto Mailza tenta reorganizar a gestão e ajustar o governo.
Por isso, ainda não é possível afirmar que não haverá segundo turno. Mailza e Gladson têm a seu favor a maior máquina pública do Estado, a maior coligação partidária, o maior número de candidatos aliados, a maior bancada federal, a maior bancada estadual e o maior número de prefeituras na base de apoio.
Com toda essa estrutura, somente ficariam fora do segundo turno por incapacidade de articulação política ou por uma rejeição expressiva do eleitorado — hipótese que a Coluna não descarta. Em política, tudo pode acontecer.
Gladson segue forte mesmo sob desgaste
Apesar do desgaste provocado pelos resultados pouco satisfatórios no julgamento da Operação Ptolomeu, Gladson Cameli ainda lidera as pesquisas para o Senado.
E, se Mailza quiser crescer eleitoralmente, inevitavelmente terá de se submeter ao crivo das habilidades políticas de Gladson e de sua equipe. Experientes em campanhas eleitorais, os aliados de confiança do governador conhecem profundamente os caminhos da política acreana.
Com estrutura, poder e capacidade operacional, esse grupo já demonstrou várias vezes que consegue virar o jogo nos últimos vinte dias antes da eleição. Especializaram-se em um movimento conhecido nos bastidores eleitorais como “sprinter”: vencer eleições nos momentos finais, contrariando prognósticos e tendências. Em certos cenários, o jogo muda literalmente da noite para o dia.
A bolha política não representa todo o eleitorado
O que mais se ouve nos bastidores políticos é que “o povo quer mudança”. Mas qual povo?
A Coluna chama atenção para um detalhe preocupante: existe uma enorme bolha social que simplesmente não acompanha política. São eleitores ligados ao assistencialismo imediato, aos “sacolões” e à velha prática da compra barata de votos.
E é justamente esse nicho que costuma mudar de lado na reta final das eleições. Marcus Alexandre sabe bem disso. Foi vítima desse movimento na última disputa eleitoral.
Há grupos políticos que conhecem exatamente quem são esses eleitores, onde estão e como operam eleitoralmente. E esse grupo, hoje, não está ao lado do senador Alan Rick.
O jogo real começa nos últimos 20 dias
Por isso, é cedo para comemorações ou clima de vitória antecipada. Nada está resolvido.
As eleições, no Acre, historicamente são definidas nos últimos vinte dias de campanha. Os órgãos fiscalizadores sabem disso. O meio político sabe disso. O Acre inteiro sabe disso.
Portanto, o momento exige cautela, serenidade e sangue-frio. Caldo de galinha, uma boa rede, água fresca e muita calma nessa hora. O jogo de verdade ainda nem começou.
Pesquisa agora não define eleição
Qualquer resultado de pesquisa para governo ou Senado neste momento deve ser analisado com muita prudência. É preciso controlar a empolgação e manter os pés no chão.
Campanha eleitoral se faz com presença, contato humano e construção política. É preciso olhar nos olhos, apertar mãos, aceitar abraços e afagos. É necessário fazer política de verdade.
Os compromissos precisarão ser assumidos. Os candidatos terão de se tornar mais acessíveis. Esse é o básico do manual de quem quer vencer uma eleição. O restante depende da estrutura política e da capacidade de alcançar os nichos eleitorais mais vulneráveis.
Quem não tem estrutura precisa compensar na rua
Quem não possui estrutura política ou financeira precisará compensar isso com presença popular.
Será necessário andar mais, conversar mais, ouvir mais e assumir mais compromissos. Quem não tem máquina precisa construir proximidade com o povo e vender a expectativa de poder.
Na política, acessibilidade ainda continua sendo uma das moedas mais valiosas.

